Ednaldo Lopes Barbosa de Lima

AS ORIGENS DO CRIME SEGUNDO A TEORIA DA ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL

Segundo a Teoria da Associação Diferencial elaborada por Edwin Sutherland,a pobreza não justifica a causa de algumas pessoas pobres cometerem crimes,uma vez que crimes de colarinho branco,definidos por este mesmo pensador,são cometidos principalmente por pessoas ricas. O que justificaria esses crimes,ao invés dos fatores biológicos e psicológicos,seriam os fatores sociais.

Essa teoria aborda certos problemas com precisão,mas,assim como toda teoria criminal,é incompleta. A diminuição desigualdade econômica e o aumento da qualidade de vida da população,de fato,não implica na diminuição no número de crimes. Mas também temos que ver quem está sendo beneficiado com a diminuição das desigualdades e o quanto ela está se tornando acessível.

Não acho que a solução para tudo isso seja o temo à ordem, à moral e aos bons costumes, visando-se criar pessoas para fazerem parte desses grupos. Mas, de fato, reconheço que tem que haver uma mudança cultural e intelectual em todas as pessoas, sempre de forma a ensinar as pessoas a agirem em prol da coletividade, abrindo espaços para a libertação e pros sonhos das pessoas, especialmente jovens de periferia.

Em grande parte,vejo mais uma necessidade do coletivo de se provar como distinto e inviolável de certas pessoas que fizeram coisas terríveis,de mostrar que no final das contas tem sempre que dominar e ditar as regras do jogo do que a necessidade de se fazer justiça.

Contudo, o fato de você não compactuar com certas ideias não significa dizer que você não tenha uma visão de criminalização do inimigo que justificasse a sua autoridade hegemônica e dos valores sociais mais úteis que você acha que devem prevalecer,por mais supostamente humanista e progressista que você possa parecer. E de humanistas e progressistas de ambos os lados do espectro político com boas intenções o Inferno está cheio!

E rejeitar fazer parte dessa dicotomia não é ser neutro ou não ter tendências. É,antes e acima de tudo,optar pela paz definitiva. E mais: manter a coerência racional principiológica ao invés de criarmos meras lutas políticas,apontarmos o dedo na cara e dizer que um ou outro é traidor e merece sofrer as consequências.